TUFF INTERVIEW / ENTREVISTA - São Paulo - 2011 (legendas PORT)


Uploaded by gasolinafilmes on 29.08.2011

Transcript:
Estamos aqui no Brasil agora, São Paulo
eu, Stevie Rachelle e Todd Chaisson do Tuff.
Nós estamos muito animados em estar em São Paulo,
É muito bom ir para outros países, continentes e encontrar fãs.
O show no clube Inferno foi ótimo
Vários vieram do Rio e de outras cidades do estado de SP.
Nos disseram que viajaram 3 horas pra nos ver.
Não poderíamos estar mais agradecidos aos nossos fãs brasileiros.
Foi fantástico!
E queremos agradecer Caio, Julio e Shawn que tocaram com a gente.
Também ao Joseph, Joe do Inferno...
e Leandro que nos trouxeram.
Nossos amigos Ricardo da Roadie Crew,
Veridiana por nos levar por aí,
Carlos da Animal Records,
Mayra Dias Gomes,
a todos que nos ajudaram e a Gasolina Filmes.
Obrigado a todos.
Eu vi coisas da primeira vez que estive aqui que nunca tinha visto antes.
Eu já tinha visto mendigos adultos,
mas nunca tinha visto crianças de 5 anos pelas ruas.
Foi chocante pra mim.
Dessa vez não as vimos.
Esperamos que estejam sendo bem cuidadas.
Esse ano, nosso disco de estréia "What comes around goes around" completa 20 anos.
Stevie teve a idéia de relançar algumas músicas
e de chamar "What comes around goes around again".
Nós escolhemos algumas de nossas músicas preferidas desse disco
e algumas músicas que não entraram nesse disco.
Isso inclui a música que deu nome ao disco "What comes around goes around".
Vamos dar uma nova roupagem a elas.
Elas estarão mais modernas.
Teremos alguns guitarristas convidados,
talvez alguns vocalistas pra cantar com a gente.
Foi uma forma de fazer não só um tributo a nossa banda,
mas também seria uma boa idéia.
As pessoas nos diziam:
"eu escutei uma demotape com a música 'Put out or get out'"
ou nos perguntavam sobre músicas antigas que não tocamos há muito tempo.
Então resolvemos regravar algumas músicas.
"Put out or get out" é uma delas.
Como o Todd disse,
a música "What comes around goes around" é uma música que fazia parte do nosso set list,
mas não entrou no disco de mesmo título.
Dessa vez, nós iremos gravar essa música.
Teremos alguns convidados,
o guitarrista Jeff Loomis que já tocou com "Sanctuary" e "Nevermore".
Steve Brown do Trixter fará um solo no disco,
Keri Kelli que já tocou com Alice Cooper e Ratt participará de uma música nesse disco.
Então esse disco não é só uma celebração,
mas também terá um mix de guitarristas que são nossos amigos
e pessoas com quem trabalhamos ao longo dos anos.
Tem mais alguns músicos que não podemos revelar agora.
É segredo, segredo chinês antigo.
Quando o Tuff estava no auge, nós eramos 20 anos mais novos.
O cenário era outro,
agora estou mais maduro, mais sereno.
Ainda bebo bastante...
Sempre teve pressão da gravadora,
politicagem e algumas discordâncias.
Eu deixei o Tuff pra tocar em uma banda mais parecida comigo, mais pesada.
Eu era o vocalista e tocava baixo.
Era mais uma banda de músicos,
Gravamos dois discos por gravadoras européias.
Viajamos pelo mundo e foi algo muito especial pra mim.
Há uns dois anos Stevie perguntou se eu queria tocar com ele.
Acho que era pra tocar no México, não era?
Foi.
O que o Todd estava falando era que naquela época época já tinhamos evoluído.
Todd já estava tocando no Tuff por seis ou sete anos desde que formou a banda.
Nós fomos indo pra lados diferentes, tinhamos diferentes perspectivas.
Ele estava mais interessado em um som pesado.
Pantera, Metallica, Slayer, Type O Negative,
sons mais pesados e sombrios.
Tuff era pra mim, Jorge e Michael uma banda de pop rock, hard rock.
Mesmo com a evolução musical do primeiro para o segundo disco,
de 1987 a 1992.
A concepção de pesado pro Todd era outra, estava em outro nível.
Ele queria fazer algo parecido com "Sepultura" para os brasileiros.
Um som mais agressivo, brutal...
Cannibal Corpse...
E foi o que ele fez por dez anos.
Num determinado momento nós nos falamos e cheguei pra ele e disse,
"estou fazendo shows de vez em quando, você não quer se juntar a nós?"
Das primeiras vezes que eu perguntei, ele disse:
Não! Não!
e nos últimos anos ele disse: "Sim, vamos tocar juntos".
Estamos nos divertindo e aqui estamos no Brasil.
Estou tendo os melhores momentos.
Acho que sem tentar deixar o som mais pesado propositalmente,
minha voz mudou, eu canto mais pesado,
meu baixo tem um timbre mais pesado
e isso deixa o som mais pesado.
Não temos a intenção de deixar o Tuff como o Metallica.
Tuff ainda é uma banda de hard rock, não uma banda de hardcore.
Mas o novo disco terá elementos mais pesados.
Pegamos algumas músicas de vinte anos atrás e dissemos:
"e se a gente fizer um 'double kick' ou abaixar o tom aqui, o que acontece?"
e está ficando ótimo.
Não é um desvio da versão original.
Ninguém vai ouvir e dizer que é "Cannibal Corpse" ou "Sepultura".
Ainda é sem dúvida Tuff.
É como ouvir o primeiro disco do Skid Row e o segundo "Slave to the grind".
Tem só mais um "tapa" nas músicas.
Minha vida é cheia de projetos.
Metalsludge é algo grande.
Passo muito tempo online na MetalSudge.tv.
Lancei dois discos solo.
Dois outros discos com uma banda de personagens
sobre o Green Bay Packers chamada "CWA".
Mas a maior parte do tempo é do Tuff.
Me afastei um pouco porque tive filhos
e também passei tempo gerenciando a banda "Vains of Jenna" da Suécia.
E agora estou mais focado no Tuff porque ainda é relevante.
As pessoas ainda gostam.
Não podíamos estar mais felizes por ainda agradar
e ter outra chance de voltar pra América do Sul.
Acabamos de tocar em Chigaco, Milwaukee, Minneapolis.
Estamos tentando fechar outros shows na costa leste, talvez no Texas.
E esperamos voltar pro Brasil dentro de um ano.
Los Angeles tem um festival chamado "Sunset Strip Music Festival"
com o Motley Crue.
Tem uma banda que está chamando atenção, "Black Veil Brides"
gerenciada pelo Blasko que toca com o Ozzy.
A Sunset strip ainda tem rock n' roll.
Ainda tem rock nos Estados Unidos.
As pessoas ainda gostam.
Mas não é como foi em 1987, 88 ou 89.
Estamos em uma década diferente.
É outro milênio, século.
É 2011.
Têm outros festivais nos EUA como:
Rocklahoma, South Texas Rock Fest, M3 Rock Festival em Baltimore.
Nesses festivais teve desde Poison, Motley Crue a Tesla e Cinderella.
E também Kix, Bang Tango, Bulletboys e Pretty Boy Floyd.
Ainda tem rock vivo.
Mas não é como era nos anos 80.
Algumas pessoas que são apaixonadas pelos anos 80,
pelo o que Motley Crue e Poison fizeram.
Agora não é grandioso como antes,
com hits e milhares de discos vendidos
e essas pessoas ficam deprimidas, furiosas, desapontadas, tristes.
Hey, ainda tem rock em todos os lugares.
Você tem que encontrar e fazer acontecer.
Stevie está envolvido com a MetalSludge,
eu toquei em várias outras bandas, bandas de cover.
O que for pra ganhar dinheiro.
Pra mim tem sido música até agora.
Mas se eu tiver que arrumar outro trabalho, eu arrumo.
Mas por enquanto a música tem pago as contas.
Bon Jovi, Motley Crue, Poison fizeram muito sucesso.
Eles podem lançar coletâneas, livros, biografias.
E bandas que fizeram menos sucesso
têm que encontrar outras formas de ganhar dinheiro.
A vida é dura e você tem que passar por ela.
Tá tudo certo.